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O lado obscuro das canções de ninar

por que as canções de ninar são aterrorizantes

O lado obscuro das canções de ninar
Foto: Reprodução

As canções de ninar sempre foram uma forma carinhosa de acalmar os bebês, prender sua atenção e ajudá-los a dormir. A voz suave da mãe, cantando baixinho, cria um ambiente de segurança que embala a criança em um sono tranquilo, mesmo em meio às madrugadas cansativas dos pais.

No entanto, quando analisamos com mais atenção, o conteúdo de algumas dessas canções tão populares pode parecer… no mínimo, curioso. Em certos casos, até um pouco estranho.

Nesta matéria, vamos revisitar algumas das cantigas mais conhecidas e entender por que elas podem causar essa impressão.

BOI DA CARA PRETA

Sem dúvidas, essa é uma das canções de ninar mais conhecidas do Brasil.

A letra sugere que o “boi da cara preta” pode pegar a criança que tem medo de careta. O curioso é que, muitas vezes, a criança nem sabe o que é uma “careta”, muito menos teria medo disso. Ainda assim, a ideia é apresentada de forma repetitiva, o que pode acabar criando um medo que antes nem existia.

Ou seja, uma música feita para acalmar pode, ao mesmo tempo, introduzir um certo receio.

O CRAVO E A ROSA

À primeira vista, parece apenas uma história simples entre personagens simbólicos. Mas, olhando com mais atenção, percebemos que há um conflito bem direto.

A canção fala de uma briga entre o cravo e a rosa, onde ambos saem feridos — um com dor física e o outro emocionalmente abalado. Para uma música infantil, é curioso como a narrativa envolve confronto e sofrimento, ainda que de forma sutil.

CIRANDA CIRANDINHA

Essa é uma das cantigas mais tradicionais e alegres — pelo menos na melodia.

Mas a letra traz alguns elementos interessantes. Um deles é o famoso trecho:

“O anel que tu me deste era vidro e se quebrou”

O anel, normalmente associado ao compromisso e à união, aparece aqui como algo frágil, que se quebra facilmente. Em seguida, a música completa:

“O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou”

Ou seja, além da fragilidade do objeto, há também a ideia de um sentimento que não resistiu.

Outro ponto curioso está no trecho:

“Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar”

A repetição sugere um movimento contínuo, sem avanço — um girar constante sem sair do lugar. É interessante como uma música tão leve pode carregar interpretações tão diferentes dependendo do olhar.

A CUCA VAI PEGAR

Essa cantiga traz um dos elementos mais clássicos do imaginário infantil: a figura assustadora usada para impor limites.

Logo no início, temos:

“Mamãe foi pra rua, papai foi trabalhar”

Aqui já aparece uma sensação de ausência. Em seguida, surge a ameaça da Cuca, reforçando a ideia de medo como forma de controle.

É curioso pensar que justamente em uma fase em que a criança busca segurança, a música introduz a ideia de abandono momentâneo e de uma figura assustadora à espreita.


Gostou dessas curiosidades?

Depois de olhar por esse lado, talvez você até continue cantando essas músicas… mas com uma percepção bem diferente 😄

FIM
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