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O dia em que bombardearam Salvador por causa de Jequié

A incrível história de quando a capital da Bahia foi parar no sertão

O dia em que bombardearam Salvador por causa de Jequié
Foto: Indicatu

O Cenário de uma Guerra Política

No final de 1911, a Bahia era um verdadeiro campo de batalha entre quatro facções políticas: os vianistas, os severinistas, os marcelinistas e os seabristas. A rivalidade era tanta que os grandes líderes baianos estavam sempre em choque, cada um querendo mostrar que mandava mais. Era um tempo de tensão, rivalidade e muito personalismo.

A Trama para Segurar o Poder

A confusão começou de verdade quando o governador Araújo Pinho, sentindo-se sem força política, simplesmente renunciou. O cargo deveria ir para Leôncio Galrão, que recusou, e parou no colo de Aurélio Viana. O problema é que havia uma eleição chegando e o favorito era J.J. Seabra, apadrinhado pelo presidente da República. Para impedir que Seabra "papasse" a eleição, os grupos rivais arquitetaram um plano ousado.

A Mudança Surreal da Capital

No dia 22 de dezembro, Aurélio Viana assinou um decreto maluco: transferiu a capital de Salvador para Jequié, um vilarejo no sertão com pouco mais de 10 mil habitantes. A ideia era criar um caos político e adiar as eleições. Imagina a cena: deputados e senadores fazendo uma verdadeira peregrinação de saveiro, trem e até no lombo de burro para chegar na nova capital. E depois de tanta viagem, perceberam que foi tudo em vão.

A "Capital da Resistência" em Jequié

Jequié, que antes era só um ponto de parada para boiadeiros, virou a capital do estado. Os parlamentares da situação se instalaram em dois sobrados da cidade e tentaram governar de lá, longe das retaliações que poderiam sofrer em Salvador. Enquanto isso, os seabristas ficaram revoltados na capital original. Todas as decisões tomadas em Jequié foram anuladas na Justiça, mas o governador, já apelidado de "Aurélio Jequié", ignorou a ordem.

O Bombardeio que Abalou Salvador

Como a lei não foi suficiente, veio a força. O presidente Hermes da Fonseca, aliado de Seabra, ordenou uma intervenção federal. No dia 10 de janeiro de 1912, o general Sotero de Menezes avisou que, se o governador não obedecesse à Justiça, usaria a força. Menos de uma hora depois, o Forte São Marcelo começou a bombardear Salvador! O Palácio Rio Branco pegou fogo, a Câmara foi atingida e a histórica Biblioteca Pública foi severamente danificada, com milhares de livros raros perdidos. O bombardeio durou 20 minutos, mas os confrontos entre o exército e a polícia se estenderam por horas.

O Fim da Breve Capital Sertaneja

Com a cidade em caos, o general "sugeriu" que Aurélio Viana renunciasse, o que ele fez no dia seguinte. O novo governador, Bráulio Xavier, tomou sua primeira e mais óbvia medida: devolveu a capital para Salvador. A eleição aconteceu normalmente e, no final das contas, depois de toda essa aventura, J.J. Seabra venceu sem nenhum adversário. A mudança para Jequié, o bombardeio e toda a confusão foram, literalmente, uma viagem inútil.

FIM
Silvio Ramos
Redator na Agência Indicatu

Silvio Ramos

Especializado em comunicação e conteúdo digital.

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