A Arca era um objeto sagrado e de acesso restrito
A Arca do pacto era o símbolo máximo da presença de Deus entre os israelitas. Ela ficava guardada no Santo dos Santos, a parte mais sagrada do Templo de Jerusalém, e seu acesso era extremamente restrito. Apenas o sumo sacerdote podia entrar nesse recinto, e isso acontecia uma única vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kipur), conforme ordenado na Lei de Moisés (Levítico 16:2, 29-34). Dessa forma, os reis de Judá não tinham permissão para ver a Arca regularmente.
No entanto, ao longo da história de Israel e Judá, houve algumas ocasiões especiais em que a Arca esteve visível para o povo e até mesmo para alguns reis.
Davi levou a Arca para Jerusalém
Antes da construção do Templo de Salomão, a Arca do pacto não tinha um local fixo e era transportada para diferentes lugares. Durante o reinado de Davi, ela estava guardada na casa de Abinadabe, em Quiriate-Jearim (1 Samuel 7:1-2). Posteriormente, Davi organizou sua transferência para Jerusalém com grande celebração. Durante esse evento, a Arca ficou exposta, e o próprio rei dançou diante dela em um ato de reverência e alegria (2 Samuel 6:12-15).
No caminho, um incidente ocorreu: Uzá, um dos que conduziam a Arca, tocou nela para impedir que caísse e foi fulminado por Deus (2 Samuel 6:6-7). Isso reforçou a santidade do objeto e o perigo de manuseá-lo de maneira inadequada.
Salomão viu a Arca no Templo
Quando Salomão, filho de Davi, finalizou a construção do Templo, a Arca foi levada solenemente para o Santo dos Santos. Esse foi um dos momentos mais importantes da história religiosa de Israel, e é provável que Salomão e os sacerdotes a tenham visto antes de ser colocada definitivamente no seu local sagrado (1 Reis 8:6-8).
Durante essa cerimônia, a glória de Deus encheu o Templo em forma de uma nuvem, confirmando que a presença divina estava entre o povo. Depois desse evento, a Arca permaneceu oculta no Santo dos Santos, fora da vista dos reis e de qualquer outra pessoa, exceto o sumo sacerdote.
A Arca desapareceu da história
Com o passar dos séculos, Judá enfrentou diversas crises, incluindo a invasão do Império Babilônico. Em 586 a.C., o rei Nabucodonosor destruiu Jerusalém e o Templo. A partir desse momento, a Arca do pacto desapareceu, e não há registros confiáveis sobre seu destino.
Muitas teorias surgiram sobre seu paradeiro: algumas sugerem que foi escondida pelos sacerdotes antes da invasão, enquanto outras especulam que foi levada para outro país ou destruída. Desde então, nenhum rei ou sacerdote a viu novamente.
Conclusão
Os reis de Judá não tinham acesso direto à Arca do pacto, pois ela ficava protegida no Santo dos Santos. Apenas em momentos especiais, como no reinado de Davi e Salomão, a Arca pôde ser vista publicamente. Após a destruição do Templo, seu paradeiro tornou-se um mistério, reforçando ainda mais seu status como um dos artefatos mais sagrados da história bíblica.