Durante o regime nazista, cerca de 1.800 Testemunhas de Jeová foram assassinadas, e outras 10.000 sofreram prisões, torturas e trabalhos forçados. Esse grupo religioso foi um dos poucos perseguidos pelo Terceiro Reich que poderia escapar da morte caso renunciasse à sua fé, mas a maioria recusou. Entre os casos mais emblemáticos estão August Dickmann, a primeira Testemunha de Jeová executada publicamente pelos nazistas, e Helene Gotthold, decapitada por continuar pregando sua crença.
Por que Hitler perseguiu as Testemunhas de Jeová?
As Testemunhas de Jeová se recusavam a saudar Hitler, servir no exército e demonstrar lealdade ao Estado nazista. Para o regime, isso era visto como traição. Diferente de outros grupos perseguidos, como judeus e ciganos, as Testemunhas poderiam escapar da prisão ou da morte se assinassem um documento renunciando à sua fé—mas a maioria escolheu resistir.
O nazismo começou a prender membros do grupo já em 1933, e em 1935 sua religião foi oficialmente banida na Alemanha. Testemunhas de Jeová foram enviadas para campos de concentração e identificadas com um triângulo roxo, símbolo exclusivo para essa perseguição religiosa.
August Dickmann: a primeira execução pública
Em 15 de setembro de 1939, a Testemunha de Jeová August Dickmann (1910–1939), de 29 anos, foi executado publicamente no campo de Sachsenhausen. Ele já estava preso desde 1937 por se recusar a prestar serviço militar. Quando a guerra começou, os nazistas ordenaram que ele se alistasse, mas ele manteve sua posição.
Como forma de dar um exemplo aos outros prisioneiros, os oficiais nazistas o condenaram à morte. Dickmann foi colocado diante de milhares de prisioneiros e fuzilado na frente de todos. Sua morte não intimidou outras Testemunhas, que continuaram resistindo e recusando o alistamento.
Helene Gotthold: torturada e decapitada por sua fé
Outro caso marcante foi o de Helene Gotthold (1896–1944), presa diversas vezes por continuar pregando sua religião. Ela sofreu torturas, transferências constantes entre campos de concentração e espancamentos brutais.
Mesmo com toda a pressão, Helene não renegou sua fé. Em 8 de dezembro de 1944, foi condenada à morte e decapitada em Berlim.
Outros casos de resistência extrema
Além de Dickmann e Gotthold, outras Testemunhas de Jeová se destacaram por sua perseverança:
- Wolfgang Kusserow – Executado aos 20 anos, em 1942, por se recusar a servir no exército nazista.
- Ernst Vischer – Espancado até a morte por não saudar Hitler.
- Lina Haag – Sobreviveu a torturas brutais e relatou sua experiência em um livro.
Conclusão
As Testemunhas de Jeová foram um dos poucos grupos perseguidos pelo nazismo que poderiam ter evitado a morte se simplesmente renunciassem à sua fé. No entanto, milhares preferiram resistir, enfrentando prisões, trabalhos forçados e até a execução. O caso de August Dickmann, o primeiro a ser executado publicamente, e o de Helene Gotthold, decapitada por seguir sua crença, demonstram a força e coragem desse grupo religioso diante da tirania nazista.