O surgimento de Babilônia, a Grande
A história de Babilônia, a Grande, é bem antiga. Alguns associam-na à Babilônia de Nabucodonosor, e, por sua vez, à Torre de Babel, supostamente construída por Ninrode. Acredita-se que a Babilônia de Nabucodonosor tem seus toques singulares com a Torre de Babel não só pela origem do nome, mas também por sua localização, crenças, costumes e religião. Mas Babilônia, a Grande, já existia antes de tudo isso.
Quando surgiu Babilônia, a Grande
Sabemos quando Babilônia, a Grande, surgiu, graças a uma fala profética registrada no livro de Apocalipse. O texto diz o seguinte:
"Sim, nela se achou o sangue dos profetas, dos santos e de todos os que foram mortos na terra.”
Esse texto é revelador, pois remete a idade de Babilônia para a época do segundo evento mais trágico da história do homem - o assassinato de Abel, filho do primeiro casal humano Adão e Eva. É digno de nota que o texto não fala de todos os que "morreram na terra", e sim de todos os que "foram mortos" na terra. Para Jeová, mortes violentas praticadas por humanos contra seus semelhantes é de responsabilidade de Babilônia, a Grande, e já vamos entender por quê.
De um ponto de vista mais crítico e rigoroso, todo ser humano é morto por alguém, mesmo os que morrem de velhice, e nesse caso, o causador da morte é o pecado. Se isso se aplicasse a Adão, ele teria sido morto pelo pecado. Mas o contexto narrado em Apocalipse 18:24 responsabiliza Babilônia, a Grande, por mortes violentas, exclusivamente aquelas cometidas contra os servos de Deus. Sendo assim, vamos seguir nessa linha porque isso diz tudo sobre a origem dela.
Babilônia surge com a morte de Abel
Relembrando, Babilônia, a Grande, é acusada de "nela se achar o sangue dos profetas, dos santos e de todos os que foram mortos na terra". O primeiro a ser morto, assassinado, foi Abel. Mas o que Babilônia tem a ver com isso? Temos que entender o que aconteceu naquele contexto. Duas pessoas estavam ali, Caim e Abel, para adorar a Jeová por meio de oferta e sacrifício. Aquilo foi duas formas de adoração. Mas uma foi rejeitada. Foi daquela rejeição divina à adoração feita por Caim que surgiu Babilônia, a Grande. Ou seja, Babilônia, a Grande, é um tipo de adoração que Deus não aceita. E mais que isso - é uma adoração praticada por pessoas reprovadas por Deus. Portanto, quando Apocalipse diz que em Babilônia se achou o sangue de "todos os que foram mortos na terra", ele está dizendo que Abel foi vítima de alguém cuja a adoração não era aceita por Deus. E Jeová disse o motivo de rejeitar aquela adoração para o próprio Caim. Veja:
"Se você passar a fazer o bem, não voltará a ter o meu favor?"
Gênesis 4:7a) - TNM 2015.
Esse texto revela que as ações de Caim nem sempre foram más, pois o verbo "voltar", no futuro, indica que um dia Caim teve o favor de Deus. Mas as ações dele no momento da oferta eram reprovadas por Deus. isso nos ensina muita coisa. O que importa para Deus não são os sacrifícios. Nossas ações devem agrada-lo.
O que é Babilônia, a Grande?
Com base no que vimos, Babilônia, a Grande, não são prédios religiosos ou só uma ideia de adoração a Deus ou a divindades pagãs. Babilônia, a Grande se define por formas de adoração praticadas por pessoas reprovadas por Deus devido as suas más ações. Por isso, não adianta tentar consertar Babilônia, a Grande. A própria essência dela é a rejeição divina; e ela pode ser muito mais do que isso.
Babilônia, a Grande, é a inimiga da mulher
É seguro dizer que Babilônia, a Grande, é a inimiga da mulher simbólica da profecia feita por Jeová em Gênesis 3:15? Sim, por alguns motivos. A mulher e a serpente a quem Deus se referiu naquela profecia são simbólicas. Babilônia, a Grande, também é simbólica e, para completar, ela surge logo no início da história da fundação do mundo. Alguns associam a fundação do mundo com o nascimento do primeiro bebê - Caim. E Caim matou seu irmão, ato esse que determinou o surgimento de Babilônia, a Grande. Então, pode-se dizer que Babilônia, a grande, é a inimiga direta da mulher aqui na terra porque essa inimizade ficou clara quando duas formas de adoração se conflitaram nos primórdios da história da humanidade.
Desse modo, pode-se dizer também que essa mulher da profecia de Gênesis 3:15 é tão antiga quanto Babilônia, a Grande. Ambas surgiram juntas, no mesmo instante. Naturalmente, a identidade dessa mulher foi sendo "construída" ao longo dos séculos seguintes aos eventos pós Éden, até que dela surgisse o prometido descendente que esmagará a cabeça da serpente.
Aqui fica tudo muito claro. Babilônia, a Grande, é o descendente da serpente, enquanto que Jesus Cristo é o descendente da mulher.
A destruição de Babilônia, a Grande
Por tudo o que vimos, Babilônia, a Grande, é uma ideia que se materializou em crenças, costumes e veneração a ídolos. E como se destrói uma ideia? Expondo ela como algo falso e prejudicial. E por que isso ainda não foi feito, já que Babilônia, a Grande, é a responsável pela morte de todos os assassinados na terra? Apocalipse diz que ela engana, enfeitiça e embriaga as nações (Apocalipse 18:23; Apocalipse 19:2). A serpente original está por trás desses atos de feitiçaria e encantamentos, deixando as nações cegas (2 Coríntios 4:4). Por isso, o homem por si só não tem força para acabar com Babilonia, mesmo sabendo quem ela é. Ela será destruída por mão forte (Apocalipse 18:8).
A mãe das meretrizes
Babilônia, a Grande, é chamada de "a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra" (Apocalipse 17:5). Pensávamos que a igreja católica era essa mulher por causa do seu grande poder no mundo. Mas de acordo com o que vimos, Babilônia, a Grande, existe há muito tempo, antes mesmo dos primeiros impérios poderosos. A igreja católica é apenas uma (e a mais poderosa) das muitas meretrizes que surgiram de Babilônia, a Grande.
Mas isso não gera contradição com o fato de a mulher estar sentada sobre 7 montes que simbolizam 7 reinos? Vejamos.
Sentada sobre 7 montes
Apocalipse 17:9 diz que as sete cabeças da fera que a mulher monta representam 7 montes e que ela monta nesses montes também, uma vez que ela monta na fera e as cabeças dessa fera são os mesmos montes. Também, o versículo 10 diz que essas 7 cabeças, que são 7 montes, são também 7 reis, isto é, 7 potências mundiais.
O assunto é resumido da seguinte forma: montar a mulher uma fera de 7 cabeças significa que ela tem dominado as 7 maiores potências mundiais ao longo da história. Isso traz um detalhe interessante, pois significa que essa fera também é antiga, já que nela há 7 cabeças e cada uma delas é uma potência. Ou seja, ao longo da história essa fera nem sempre teve 7 cabeças. Elas foram sendo adicionadas a ela com o passar das eras até a fera está completa. Mas aqui entra a dúvida. Se Babilônia, a Grande, remonta aos dias de Abel, como então Apocalipse menciona ela existindo a partir da primeira potência (1ª cabeça da fera), o Egito?
A meretriz já existia antes
O fato de a profecia em Apocalipse dizer que a mulher monta essa fera de 7 cabeças não quer dizer que ela surgiu a partir disso. Ela já existia antes. Porém, quando a primeira cabeça da fera surgiu com a ascensão do Egito, a mulher passou a montar na fera exercendo domínio sobre ela. Isso na verdade só revela o poder dessa meretriz, pois, antes de existir a primeira potência, ela já estava no mundo. Antes disso, o mundo ainda não tinha um governo central que exercesse domínio absoluto — o Egito foi o primeiro a cumprir esse papel.
Isso é uma coisa. A outra é que todas essas potências, sem exceção, ofereceram resistência à soberania divina. Nem é preciso dizer que o Egito foi o primeiro a experimentar o sabor de oprimir o povo de Deus, bem como o de arcar com as consequências disso.
O sangue de todos nas mãos de Babilônia, a Grande
Como dissemos, Jeová responsabiliza Babilônia, a Grande, pelas mortes violentas de todos os que foram mortos na terra. Por quê? A julgar pelo primeiro assassinato, a adoração falsa (ou reprovada) estava envolvida. E aqui é que está o detalhe interessante: de Caim em diante, duas formas de adoração passaram a existir no mundo, sendo uma Babilônia, a Grande. Todos os que não têm a aprovação de Deus fazem parte de Babilônia, a Grande, quer aceitem isso, quer não. Suas ações é que determinam a que forma de adoração a pessoa pertence e pratica (Apocalipse 20:13). Eis a importância de o indivíduo fazer todo um grande esforço para entrar e se manter no estreito e apertado caminho que conduz à vida (Mateus 7:13, 14).
O papel da igreja católica em Babilônia, a Grande
Provavelmente, o julgamento de Deus contra Babilônia, a Grande, começará pela igreja católica. Por quê? Porque ela é a mais poderosa, influente e dita as regras do jogo político na maior e mais poderosa parte do mundo - o Ocidente. É uma meretriz que traz consigo crenças, práticas e costumes puramente pagãos que remontam à Babilônia de Nabucodonosor, Egito e à própria Babel. Mas o pior não é isso. Ela agravou seus pecados por, sendo quem ela é, assumir para si o posto de representante legal de Deus e Jesus Cristo na terra, quando na verdade ela faz justamente o oposto. Dela também saíram outras prostitutas menores que mais tarde se tornaram igrejas evangélicas, ortodoxas e protestantes.
O fim de Babilônia, a Grande
O julgamento de Babilônia, a Grande, se dará em uma só hora (Apocalipse 18:10, 17, 19). Umas contas lógicas apontam para 15 dias de destruição em um ato global das Nações Unidas no mundo destruindo Babilônia e suas filhas.
Após isso, ela nunca mais será achada (Apocalipse 18:21). Será então o fim dos assassinos, já que Babilônia deixará de existir? Sim. Mas não é só por isso. Os adoradores aprovados por Deus desde já obedecem a ele e amam o próximo. Sendo eles os formadores da nova sociedade da terra, não haverá mais nela assassinos ou outros tipos de criminosos que ameaçam a paz agora. Babilônia irá embora da mesma forma que veio ao mundo - de forma repentina, inesperada e violenta.